A seca no nordeste é um problema político e não climático

segunda-feira, 15 de junho de 2015 Pôla Pinto


O problema da seca não é inédito, nem exclusivo do Nordeste brasileiro. Ocorre com frequência, apresenta uma relativa periodicidade e pode ser previsto com certa antecedência. A seca incide no Brasil, assim como pode atingir a África, a Ásia, a Austrália e a América do Norte. As secas são conhecidas, no Brasil, desde o século XVI. 

Após quatro séculos o Nordeste continua sendo atingido pela seca e os governos continuam assistindo o flagelo que ela traz, de forma imparcial e inerte. Quando agem, usa o assistencialismo como moeda de troca. Afinal, socorrer os sertanejos traz rendimentos políticos. 

Como podemos perceber, as ações dos governos não vão de encontro ao problema da seca, uma vez que é de curta duração e só remedia as consequência, sem amenizar suas causa. A falta de compromisso é tamanha que até o dinheiro dos carros pipas é desviado pela ausência de fiscalização do governo. Para justificar a falta de empenho para o problema e garantir seu interesses, o governo propagou que o problema da estiagem é de responsabilidade de Deus, mais precisamente a vontade de Deus. Ingênuo e inculto, o sertanejo acredita em tamanha mentira. Para contradizer os políticos, basta saber que em Isabel, por exemplo, a quantidade de chuva é bem menor que a nossa, no entanto, há produção agrícola e controle no fornecimento de água. Outro exemplo de que os fenômenos naturais podem ser perfeitamente enfrentados é o Japão. Sabendo que pode ser atingido por terremotos ou maremotos, realizam suas edificações com tecnologia que minimizam os efeitos dos tremores. 

Observamos que os políticos costumam fazer política com o sofrimento e com a miséria do povo. As alternativas de produção têm e não são implementadas porque, não existem administradores públicos sensíveis às necessidades do povo, com uma visão de empreendedorismo capaz de desenvolver o Nordeste e reduzir a miséria de forma concreta. Mas tudo isso requer vontade política para definir ações estruturadoras no semi-árido. Só que concretizá-las, significa contrariar interesses, muitas vezes situados na base de apoio parlamentar aos governos. 

É necessário entender que as inúmeras esmolas que foram distribuídas ao longo deste tempo, em nada mudaram a condição de miséria que se encontram os sertanejos.


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